Resultados do Primeiro Turno nas Capitais

O primeiro turno das eleições municipais nas capitais brasileiras foi marcado pela pulverização. E os partidos de centro, principalmente DEM, PSDB, PSD e MDB, foram os grandes destaques.

Entre esses partidos, sobressaiu o DEM, que conquistou, já nesse primeiro turno, duas das três capitais da Região Sul – Florianópolis (SC) e Curitiba (PR) –, além de Salvador (BA), a maior capital do Nordeste. O DEM também é o favorito no Rio de Janeiro (RJ). Ou seja, o partido deverá ter sob o seu controle quatro capitais importantes.

O PSDB, além das vitórias em Natal (RN) e Palmas (TO), está no segundo turno da capital mais cobiçada do país, São Paulo (SP). E com boa chance de vencer. Os tucanos ainda podem conquistar Porto Velho (RO) e Teresina (PI).

O PSD, que venceu em Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS), disputa o segundo turno em Goiânia (GO). E o MDB, apesar de não ter vencido em nenhuma capital no primeiro turno, é o partido mais presente em disputas de segundo turno: Maceió (AL), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR).

Dessas capitais, o MDB é o favorito em Maceió, Goiânia, Teresina, Porto Alegre e Boa Vista. Ou seja, o MDB deve disputar com o DEM e o PSDB o posto de partido a eleger o maior número de prefeitos. O bom desempenho dessas três legendas também poderá fortalecer os movimentos que buscam uma aliança nacional entre eles visando as eleições de 2022.

Vale lembrar que os três partidos respaldam a candidatura de Bruno Covas (PSDB) em São Paulo. A aliança entre PSDB, MDB e DEM em torno de Covas na capital paulista é vista como um laboratório para um projeto nacional na próxima sucessão presidencial.

No campo da esquerda, o destaque é o desempenho do PSOL nas capitais. A legenda chegou ao segundo turno em São Paulo e Belém (PA). Além disso, superou o PT em Belo Horizonte.

Embora o PSOL tenha chance de vitória apenas em Belém, o avanço do partido na região Sudeste combinado com o fato do PT ter chegado ao segundo turno apenas em Vitória (ES) e Recife (PE), onde terá dificuldades, sugere uma perda de espaço dos petistas para outro concorrente no campo das esquerdas.

Nas capitais, se não conquistarem nenhuma vitória no segundo turno, os petistas podem ser superados por PSOL e PSB, que pode vencer em Recife. Sem falar no PDT, que deve conquistar duas capitais no segundo turno: Aracaju (SE) e Fortaleza (CE). O PCdoB, que está no segundo turno em Porto Alegre (RS) coligado com o PT, enfrentará uma disputa difícil na cidade.

Um aspecto interessante nas capitais é a perda de espaço do bolsonarismo e do lulismo. Nenhum dos candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ex-presidente Lula (PT) venceu no primeiro turno, nem tampouco desponta como favorito no segundo.

Esse desgaste do lulismo nas capitais não é novidade. E o enfraquecimento do bolsonarismo, após apresentar um forte desempenho nos grandes centros urbanos em 2018, pode ser explicado pelo enfraquecimento da polarização, provocando uma migração para candidaturas centristas de parte dos eleitores que rejeita o PT e se afastou do bolsonarismo.

Um exemplo disso é o resultado em capitais consideradas estratégicas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Porto Alegre.

Em São Paulo, o favorito é Bruno Covas (PSDB). No Rio de Janeiro, o favoritismo é de Eduardo Paes (DEM). Em Salvador, o vitorioso foi Bruno Reis (DEM). E em Porto Alegre quem está na frente é Sebastião Melo (MDB). Todos candidatos de centro. A exceção nessas capitais estratégicas é Fortaleza, onde esquerda (José Sarto, do PDT) e direita (Capitão Wagner, do PROS) duelam no segundo turno. Sarto é o candidato do ex-ministro Ciro Gomes; Wagner conta com a simpatia de Bolsonaro.

Os candidatos alinhados com o presidente Bolsonaro tiveram um desempenho ruim, mas o mesmo aconteceu com os candidatos do PT – à exceção de Marília Arraes, no Recife – que exploraram a imagem de Lula. Esse enfraquecimento dos polos favoreceu o centro, principalmente as candidaturas de DEM, PSDB, MDB e PSD. Embora 2022 ainda esteja distante, este pode ser um sinal de que a polarização de 2018 perde sua força.

Partidos

Eleitos em 1º turno

Disputam 2º turno

Pode somar

MDB

0

7

7

PSDB

2

3

5

DEM

3

1

4

PODEMOS

0

3

3

PP

0

3

3

REPUBLICANOS

0

3

3

PSB

0

3

3

PSD

2

1

3

PDT

0

2

2

PSOL

0

2

2

PT

0

2

2

AVANTE

0

1

1

PATRIOTAS

0

1

1

PCdoB

0

1

1

CIDADANIA

0

1

1

PROS

0

1

1

SD

0

1

1

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