Não é à toa quando dizem que tudo tem seu preço. Nas eleições de 2020, chegar ao posto de prefeito ou candidato a segundo turno das capitais do 26 estados brasileiros foi tarefa árdua e dispendiosa – com o dinheiro do contribuinte.
Com mais dinheiro do fundão eleitoral, PSL e PT tiveram os piores resultados
De acordo com levantamento do Metrópoles, com base nos balanços do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada um dos 11.683.335 votos dos sete mandatários já definidos e dos 36 que aguardam o 2º turno, no próximo dia 29, custou, em média, R$ 14,26 em recursos públicos do fundo eleitoral, distribuídos pelo TSE. Ao todo, o montante equivale a R$ 166.604.357,10.
Os números foram obtidos por meio da divisão da quantidade de votos que os candidatos conquistaram pelos valores que cada um recebeu dos partidos desconsiderando as doações de pessoas físicas.
A realidade, no entanto, foi mais pesada em algumas capitais. Entre os sete prefeitos que já venceram a corrida eleitoral, por exemplo, os 46.243 tocantinenses que votaram em Cinthia Ribeiro (PSDB) foram os mais caros, custando R$ 36,84 por “confirma” na urna. No polo oposto do ranking, Marquinhos Trad (PSD), eleito em Campo Grande (MS), desembolsou R$ 1,43 de verba pública para cada um dos seus 218.418 apoiadores.
Em relação aos políticos que ficaram para segundo turno, os eleitores de Ottaci (SD), candidato em Boa Vista (RR), inflacionaram a disputa, cada um valendo R$ 54,37 – o maior valor pago até agora. O custo do voto do adversário, Arthur Henrique (MDB), foi mais em conta: o emedebista recebeu 4,6 vezes mais votos e pagou 2 vezes menos por cada apoio nas urnas.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, cada paulistano a favor do atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), custou R$ 6,89 em recursos públicos. Já o custo de cada voto obtido por Guilherme Boulos (PSol) foi de R$ 2,52.
Sete em cada dez cidades terão Câmaras com menos partidos
Na contramão de todos, está o delegado federal Eguchi (Patriota), uma das opções dos moradores de Belém (PA), que não recebeu, segundo consta nos dados do TSE, sequer um centavo do partido.
- Fundo eleitoral
O Fundo Eleitoral foi criado em 2017 para compensar a proibição do financiamento empresarial de campanhas — pivô de inúmeros escândalos políticos. Desde então, tornou-se uma das principais fontes de receita para a realização das campanhas.
De acordo com a legislação, os recursos devem ser distribuídos pelo TSE aos diretórios nacionais dos partidos, que depois repartem entre os estaduais e municipais. São as legendas que decidem quais candidatos serão beneficiados e o valor a ser repassado.
Em 2019, foi aprovado o valor de R$ 2 bilhões para composição do fundo. Confira aqui a votação.
O Partido dos Trabalhadores (PT) foi quem recebeu o maior montante, mais de R$ 201 milhões, seguido pelo Partido Social Liberal (PSL), cerca de R$ 199 milhões, e pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), aproximadamente R$ 148 milhões.
Duas legendas comunicaram à Justiça Eleitoral a decisão de abrir mão dos recursos do fundo para financiar as campanhas políticas de seus candidatos a prefeito e a vereador nas Eleições 2020: o Novo e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).