Baleia Rossi (MDB/SP) teve a sua candidatura à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) anunciada em 23 de Dezembro. O atual presidente da Câmara montou uma base de 11 partidos que significaria, ao menos no papel, o apoio de 268 deputados – mais que os 257 necessários para se eleger. A votação é secreta, permitindo traições dentro da base aliada. Arthur Lira (PP/AL), seu oponente, teria 205 votos.
Como Baleia Rossi está no Ranking dos Políticos
A grande incógnita é o apoio efetivo da esquerda. Setores do PT, maior partido da Câmara, têm resistência ao nome de Rossi pela proximidade dele com Michel Temer. Acham que o ex-presidente aplicou um golpe contra Dilma Rousseff para chegar à presidência da República. Em votação interna, ficou dedicido o apoio a Rossi. Mas a votação apertada (28 a 23) mostra que o bloco petista não está unido, e que pode haver traições.
Dentro do PSB há deputados que simpatizam com a candidatura de Lira. Eles apoiavam Marcelos Ramos (PL/AM) na sucessão. O deputado amazonense, porém, abdicou da pré-candidatura e compôs com Lira: ficou com a 1ª vice-presidência na chapa do alagoano.
Arthur Lira: veja como o deputado está no Ranking dos Políticos
Deputados de partidos de oposição esperam que o PT aceite declarar apoio a Rossi. A sigla ainda fala em lançar candidato próprio pelo campo da oposição. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR), chegou a tuitar sobre o assunto. Nesse cenário, seriam dois candidatos dentro do bloco aglutinado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia: o da oposição e o de Baleia.
Esse bloco inclui PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PC do B e Rede. No 2º turno, todos devem votar juntos, provavelmente contra Arthur Lira, que tem o apoio de Jair Bolsonaro.
O bloco aglutinado por Maia reúne partidos de centro-direita com pauta liberal na economia e partidos mais à esquerda. O fator de coesão está fora do grupo. Trata-se de Arthur Lira, o candidato à presidência da Câmara preferido de Jair Bolsonaro. Também é o principal representante do Centrão.
Ele se aproximou do governo federal ao longo de 2020. As siglas de esquerda resolveram se unir ao grupo do atual presidente da Câmara para tentar evitar que Bolsonaro tenha um aliado à frente da Casa.
Eleger Lira seria importante para o Planalto porque é o presidente da Câmara quem decide o que os deputados vão votar. Se o governo quiser afrouxar a legislação sobre armas, por exemplo, a proposta só sai do papel se os presidentes da Câmara e do Senado pautarem.
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A possibilidade de ter um presidente da Câmara alinhado a Bolsonaro também deverá atrair o Psol para o bloco, na leitura dos demais partidos de esquerda. Os psolistas estão fora do grupo e falam em lançar um candidato.
O partido tem dez deputados. É pouco, mas pode ser decisivo em uma eleição acirrada. O deputado Marcelo Freixo (PSOL/RJ), por exemplo, já defendeu publicamente a entrada de seu partido no bloco.
A eleição da Câmara está marcada para 1º de fevereiro. Se todos os 513 deputados votarem são necessários 257 votos para ser eleito. Quem vencer terá mandato de dois anos à frente da Casa.
Os votos são secretos. Isso significa que os partidos não têm como saber quais de seus filiados descumpriram suas diretrizes e puni-los em caso de infidelidade. Ou seja: ter apoio de uma sigla não significa ter os votos de todos os deputados vinculados à legenda.