Sem obrigação de prestar contas sobre o destino dos recursos enviados por parlamentares, prefeituras de pequenas cidades estão investindo milhões em shows musicais neste ano eleitoral.
A falta de políticas públicas nas áreas da saúde, educação, segurança, saneamento básico e energia elétrica não comovem os prefeitos que estão gastando livremente os R$3,2 bilhões enviados pelo Congresso Nacional. Os valores altíssimos que estão sendo repassados fazem parte das chamadas “emendas pix” ou “Cheque em branco” e podem ser usadas pelas prefeituras de forma livre sem fiscalização dos órgãos de controle.
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De acordo com a reportagem do Estadão, parlamentares priorizaram municípios governados por parentes. Os gastos são superiores a R$ 14,5 milhões com caches de Gusttavo Lima, Zé Neto e Cristiano, Wesley Safadão, Luan Santana e Leonardo em 48 cidades. Os artistas foram contratados por prefeituras para fazer shows neste ano em municípios com menos de 50 mil habitantes. O deputado Valdir Rossoni (PSDB), por exemplo, destinou R$ 8,8 milhões à cidade de Bituruna (PR), governada pelo filho, Rodrigo Rossoni (PSDB).
No Ceará, o deputado Genecias Noronha (PL) enviou R$ 5,8 milhões para o município administrado pelo sobrinho Rômulo Noronha, Parambu (CE). Outros R$ 1,3 milhões foram investidos em Aracati (CE), em troca entre Eduardo Bismarck (PDT) e seu pai, Bismarck Maia, prefeito da cidade.
Já o pré-candidato à Presidência, André Janones (Avante) distribuiu R$ 7 milhões para sua cidade natal, Ituiutaba (MG). Parte do valor, R$ 1,9 milhão será usado em um evento com o cantor Gusttavo Lima uma semana antes da eleição.
Ao todo, 444 deputados e 58 senados escolheram enviar os recursos “via Pix” para suas bases eleitorais. Entre os deputados 60% é da base do governo Jair Bolsonaro (PL).