Lira e Pacheco apostam na fusão de partidos e no equilíbrio para garantir suas reconduções às presidências

   

Bancadas do Partido Liberal na Câmara dos Deputados e no Senado são os principais obstáculos dos atuais presidentes do parlamento federal.

    Ameaçados pelo Partido Liberal (PL) no Congresso Nacional, o deputado federal, Arthur Lira (PP/AL) e o senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG), apostam na fusão de partidos e na posição equilibrada para garantir as suas reconduções às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em 2023. O apontamento é do Ranking dos Políticos, organização, criada em 2012, que monitora todos os 594 parlamentares do Congresso Nacional e os classifica com notas de zero a dez, conforme performance em três critérios: combate à corrupção, a privilégios e a desperdícios na máquina pública.

    A cada dois anos, os deputados e senadores se organizam para escolher, em uma votação interna, os integrantes que irão administrar as atividades das casas legislativas. A próxima eleição está marcada para ocorrer em fevereiro de 2023. Porém, por conta do resultado das eleições, os congressistas que estão à frente no parlamento federal resolveram antecipar as articulações e já se movimentam nos bastidores.

    Um deles é o atual presidente Arthur Lira, reeleito como o deputado mais bem votado em Alagoas. De acordo com as informações obtidas pelo Ranking dos Políticos, ele articula uma possível fusão do PP com União Brasil, para sair na frente do PL, partido que pretende reivindicar a presidência com os seus 99 federais – a maior bancada da Câmara. Caso consiga, a estratégia de Lira pode resultar na origem de um grupo inicial de 106 deputados sob o seu comando. Que, aliás, pode vir a ser maior, se ele conseguir atrair os eleitos de partidos que não atingiram a cláusula de barreira.

    Lira pretende também acenar ao setor privado na busca pelo apoio. Pois, ele falou em retomar as reformas tributária e administrativa nos próximos dias. Outro evento com o qual o presidente da Câmara conta para ajudar a pavimentar sua campanha é a eleição para a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU). Seu apoio a determinado candidato será retribuído com os votos do partido do escolhido.

   No Senado, Rodrigo Pacheco também terá o PL como obstáculo à sua recondução. O partido elegeu 8 das 27 cadeiras em disputa e terá a maior bancada na Casa.

      De acordo com o Ranking, o líder do governo, senador Carlos Portinho (PL/RJ), já afirmou que pretende disputar o cargo de presidente da Casa. Além dele, nomes de outros partidos do bolsonarismo também se colocam no páreo, como a senadora eleita Damares Alves (Republicanos/DF). Os eleitos Hamilton Mourão (Republicanos/RS) e Tereza Cristina (PP/MS) também estão cotados. Com essa futura composição, o Ranking dos Políticos prevê um forte movimento no Senado em favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá ao presidente do parlamento autorizar, ou não, a abertura dos processos.

    Diante desse cenário, para Ranking, Rodrigo Pacheco se coloca como um candidato de equilíbrio, capaz de evitar crises institucionais, e essa postura agrada aos senadores moderados, que ainda representam uma grande parcela da Casa. Além disso, o senador terá o restante deste ano para consolidar apoios entre os colegas que continuam no mandato na próxima legislatura.

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