Carta aberta ao Congresso e ao governo federal

Em parceria com a Fecomércio/SP, o Ranking dos Políticos assina carta aberta em favor do andamento da Reforma Administrativa.

Com este intuito, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo criou um site para divulgar dados e ações sobre a Reforma.

Confira abaixo o documento assinado em conjunto com o Ranking e outras entidades civis:

São Paulo, agosto de 2024

Dos setores produtivos do País,

Caras autoridades,

É um consenso que nosso País apresenta um desnível considerável entre a qualidade dos serviços públicos oferecidos e a fatia do Produto Interno Bruto (PIB) que o Estado arrecada por meios de impostos e taxas.

A estrutura do funcionalismo público, ao não dispor de critérios relacionados à eficiência ou à produtividade ao longo da carreira, é um dos grandes causadores dessa realidade.

Pior ainda: a máquina estatal brasileira é inchada e caríssima, financiada pela alta constante dos impostos. Além disso, o sistema tributário brasileiro é regressivo, ou seja, os pobres pagam proporcionalmente mais impostos do que os ricos. As classes menos abastadas são justamente as que mais usam os serviços públicos, em especial de educação e saúde — e por isso, de longe, são as mais prejudicadas.

Isso acontece porque a estrutura administrativa atual não premia os bons funcionários públicos, mantendo o nível de remuneração independentemente da qualidade do serviço e do esforço individual, além de não bonificar a excelência. O resultado é um incentivo perverso ao mínimo esforço. Mesmo assim, parte dos servidores, por ética ou conduta moral, continua se esforçando mesmo sem reconhecimento.

É por essa razão que as entidades representantes dos setores produtivos e da sociedade civil organizada entendem que parte da solução desse quadro, de imediato, passa por uma Reforma Administrativa.

Neste momento, uma coalizão de empresas, entidades representativas, sindicatos e demais instituições desses setores, encabeçadas pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apresentam um conjunto de 14 propostas com esse objetivo [confiram abaixo], como mudanças no estágio probatório das carreiras públicas, revisão da estabilidade de alguns cargos e permissão para reduções salariais de funcionários do Estado em contextos específicos.

  1. Mudança no estágio probatório de três meses para um ano, com avaliação pré-definida e criteriosa ao fim desse período.

  2. Garantia de estabilidade apenas em carreiras públicas efetivamente ameaçadas de perseguição política.

  3. Definição de mudanças nas regras das carreiras públicas apenas para novos entrantes.

  4. Readaptação dos planos de carreiras públicas, com redução dos salários iniciais e programas mais lentos de progressão.

  5. Introdução de sistemas de avaliação com indicadores pré-definidos, públicos e diagonais às instâncias de governo.

  6. Unificação de critérios de carreiras em padrões comuns a todas as instâncias.

  7. Mudança na regra de aumento de salários do presidente e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para torná-la independente das remunerações de cargos de confiança ao redor deles.

  8. Permissão de reduções temporárias de salários em situações extremas, como epidemias ou fortes restrições fiscais.

  9. Em consonância com o PL 2.721/2021, proibição de supersalários, estimando o teto das remunerações a partir do quanto ganha o presidente da República.

  10. Definição de ações para avançar em reformas administrativas estaduais e municipais, sem intervenção do governo federal.

  11. Proibição de privilégios remuneratórios e benefícios excedentes em cargos públicos.

  12. Modernização dos concursos públicos, como a realização de provas online e a inserção de novos critérios de seleção — por exemplo, aptidão dos candidatos às carreiras e simulação de tarefas relacionadas aos cargos, em consonância com o PL 2.258/2022.

  13. Definição de promoções para novos entrantes ao limite de 5% do total de pessoas em cada carreira a cada ciclo avaliativo.

  14. Revisão de cargos públicos obsoletos, pendente de estudo e, posteriormente, de eliminação de carreiras desnecessárias às demandas atuais.

Se muitas dessas sugestões já estão em discussão no Congresso Nacional, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, de 2020, e o Projeto de Lei (PL) 2.721/2021, também chamado de “PL dos Supersalários”, essa coalizão passará a atuar mais ativamente em torno delas a partir de agora.

Um ponto fundamental é a melhoria dos serviços públicos. Algumas iniciativas podem ser tomadas para reduzir a burocracia estatal — por isso as propostas em torno de digitalização, por exemplo. Essa mudança também tem efeitos sobre a desigualdade.

O ponto central é que a classe empresarial brasileira defende um conjunto de reformas estruturantes que busquem alinhar o País às melhores práticas internacionais, bem como propiciem ganhos de produtividade e competitividade, além do crescimento da renda. Esse será o foco dos nossos esforços a partir de agora.

Atenciosamente,
FecomercioSP

Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

Assessoria de imprensa FecomercioSP
imprensa@fecomercio.net.br
Vinícius Mendes – (11) 96860-1503
Arlete Moraes – (11) 94291-8055
Ana Maria Ribeiro – (13) 99147-3138

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *