Reforma Administrativa: Cada vez mais necessária!

O governo brasileiro custa muito e produz pouco. Assim como uma empresa ineficiente e anacrônica, o setor público precisa fazer ajustes para aumentar a sua produtividade e oferecer melhores serviços aos cidadãos. Terá que reavaliar processos, rever a sua organização e incentivar o desempenho de seus colaboradores. É aí que se insere a reforma administrativa, que começa, finalmente, a ganhar a devida atenção no debate público.

Muito se fala da falta de recursos para políticas públicas. Mas seria possível fazer muito mais e melhor com o total arrecadado pelo governo atualmente. A carga tributária, equivalente a 33% do PIB, já é uma das maiores entres os países em desenvolvimento. Quando se soma o déficit público, o total absorvido pelo governo do setor privado, na forma de impostos e aumento de sua dívida, ultrapassa 40% do PIB ao ano — nível europeu, com produtividade padrão Brasil.

Em estudo próprio, o Centro de Liderança Pública (CLP), estimou que poderia haver uma economia de R$ 60 bilhões em quatro anos, se fosse feita uma reforma na estrutura de carreira para os novos servidores. Isso porque hoje os funcionários públicos possuem salários muito elevados no início da vida profissional, na comparação com funções análogas no setor privado.
Uma burocracia ineficaz prejudica a competitividade do País e transforma o Estado num estorvo na vida do setor produtivo da economia. Ela contribui para o aumento da insegurança jurídica, drena a produtividade das empresas e prejudica a competitividade internacional do País. Uma burocracia ineficiente colabora para minar a igualdade de oportunidade. 

A péssima qualidade do serviço público em áreas vitais como educação, saúde e segurança pública afeta fundamentalmente os mais pobres, que dependem dos serviços públicos e não podem pagar por serviços privados de melhor qualidade. Não é por outra razão que a maioria da população apoia a reforma administrativa. Segundo pesquisa do Datafolha, 72% dos entrevistados acreditam que bons funcionários públicos podem melhorar a vida das pessoas.

O Brasil tem 12 milhões de funcionários públicos que consomem com salários, benefícios e aposentadorias mais de 60% do gasto público. Exemplo disso é o caso do que ocorreu esta semana no Amazonas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aposentou compulsoriamente a desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A decisão unânime foi proferida na última terça-feira (29). Desde 2020, a magistrada era alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no órgão, para apurar se ela vendia sentenças judiciais. Mesmo punida, a magistrada deve receber seus vencimentos proporcionalmente.

Em 2019, o gasto com funcionalismo consumiu perto de R$ 1 trilhão, somando a União, os Estados e municípios. Isso equivale a 40% de tudo o que foi arrecadado em tributos ao longo do ano em todo o País!

Chegou a hora de o funcionalismo caber nos impostos arrecadados, em vez de os impostos serem adaptados ao aumento do gasto com o funcionalismo. A reforma administrativa é urgente para termos um país mais justo, com as finanças públicas equilibradas e uma economia mais produtiva.

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