A verdade sobre os subsídios ao agronegócio Brasileiro

Que o agronegócio brasileiro é a força motriz da economia do país todos sabemos, mas uma questão persiste: que essa posição se deve em partes aos generosos subsídios do governo. Mas será que essa imagem corresponde à realidade? A resposta pode surpreender muitos, pois os números revelam uma história diferente da que geralmente é alardeada. Vamos analisar os números e desvendar esse mito.

 

Os números que desmentem o mito

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil se destaca como um dos países que menos subsidia a produção agrícola quando comparado a outros grandes produtores agropecuários. Apenas 1 a 2% da receita bruta do produtor é subsidiada no Brasil. Em comparação, os Estados Unidos e a China subsidiam cerca de 12%, e a União Europeia cerca de 20% da renda bruta do produtor.

 

O papel essencial da agropecuária na segurança alimentar

Globalmente, países apoiam a agropecuária como uma atividade essencial para garantir a segurança alimentar. No Brasil essa transformação teve início na década de 1970, quando o país dependia do mercado internacional para suprir suas necessidades alimentares básicas. O agronegócio emergiu como a solução de curto prazo para equilibrar a balança comercial, impulsionando a produção e reduzindo a dependência externa.

 

Nesse sentido, ainda que pouco comparado com outros países, o subsídio do governo foi essencial para o salto no desempenho do setor, em especial, com a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nos anos 70. 

 

A queda dos subsídios e o crescimento da produtividade

Olhando para os números fica evidente que o aumento na produção agrícola está inversamente relacionado aos subsídios nos últimos 50 anos. De 2000 a 2020 o Brasil reduziu os subsídios à agropecuária em 77%, passando de US$ 19,34 bilhões para US$ 4,45 bilhões.

 

A OCDE também revela uma redução vertiginosa de 86% no suporte direto ao produtor rural no mesmo período, caindo de US$ 13,81 bilhões em 2000 para US$ 1,96 bilhão em 2020.

 

O Brasil como líder em produtividade agrícola

Paradoxalmente, a produtividade da agropecuária brasileira tem crescido significativamente. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), entre 2000 e 2020, o Brasil liderou a produtividade agrícola mundial entre 187 países, com um aumento médio de 3,18% ao ano, superando China (2%) e EUA (0,5%).

 

O impacto positivo na balança comercial e no desenvolvimento regional

No que diz respeito à entrada de dólares no país, o Brasil aumentou suas exportações de US$ 25 bilhões para US$ 160 bilhões em 20 anos. Isso não apenas impulsionou o desenvolvimento em muitas regiões, mas também elevou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas áreas onde o agronegócio está presente, de acordo com os dados do último censo. A agropecuária hoje responde por metade das exportações brasileiras.

 

O futuro do agro brasileiro

Diferentemente de alguns concorrentes, como os Estados Unidos, que direcionam subsídios para produtos específicos visando garantir uma renda mínima aos produtores, e a União Europeia, que adota um modelo de subvenções não ligadas à produção, o Brasil tem adotado uma abordagem de menor intervenção nos preços, proporcionando flexibilidade ao mercado.

 

Em resumo, o agronegócio brasileiro não é tão altamente subsidiado como frequentemente se alardeia. Sua notável produtividade e capacidade de impulsionar a economia do país são resultados do investimento em pesquisa, tecnologia e inovação, tornando-o o pilar de nossa economia, capaz de se sustentar por conta própria. A verdade é que se criou um mito com base numa situação do passado que não se reflete mais nos dias de hoje. 

 

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